10 de novembro de 2011

Só no cutuque

Cutucar é uma prática exercida por muitas pessoas dentro dos coletivos. Os dedinhos indicadores estão sempre a postos quando um cidadão quer perguntar se a pessoa à frente vai sair/descer do coletivo. Ouvi a seguinte história no metrô, da qual compartilho o sentimento da narradora.

Seis da tarde, entro no vagão feminino lotado da estação Uruguaiana. Duas senhoras próximas começam o diálogo:
- Você não prefere usar a tipoia não?
- Ah, não, incomoda muito. E não adianta porque ninguém vai dar o lugar. Prefiro ficar assim [ela estava com o cotovelo colado às costelas e a mão na altura do peito]
- Mas você não está sentindo mais dor? Com a tipoia pelo menos as pessoas têm cuidado em não esbarrar...
- Ninguém dá lugar não. Prefiro ficar sem, aí tomo cuidado para ninguém esbarrar [no cotovelo]. Mas outro dia eu estava em Madureira e um senhor me cutucou bem em cima do coltovelo. Respirei fundo, virei e perguntei o que ele queria. Acredita que o senhor falou "eu só queria pegar aquele papel ali". Aí tive que falar "o senhor não conhece aquelas palavras mágigas, 'dá licença', 'por favor'? Não precisa cutucar os outros". Ah, tive que falar, eu ensino meu filho a não cutucar os outros, basta pedir licença, perguntar. Não precisa encostar. É igual ao vagão e ônibus cheios. Outro dia ia descer e perguntei à moça na minha frente: "A senhora vai descer agora?". E nada. "A senhora vai descer no próximo ponto?" Nada de novo. Perguntei a terceira vez e como ela não me respondeu, cutuquei no ombro dela. A mulher virou com uma cara de "não-precisa-encostar" que eu fiquei com muita raiva. Pô, já tinha perguntado antes, ela não ouviu.

Realmente, dedinhos nervosos me irritam. Basta que as pessoas perguntem, pra que ficar no cutuque?

Depois que a campanha do fone de ouvido colar, acho que o fim do cutuque seria uma boa causa para uma campanha.

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